Impactos do ESG na Nova Proposta de Valor das Organizações

Hoje no mercado existe um novo buzzESG. Trata-se de um tema que poucos empresários conhecem, mas que precisam ter total ciência da importância e dos impactos em seus negócios nos próximos anos. O ESG é uma “vacina” que vem auxiliar uma organização a sair de sua inércia gerencial, provocando um alerta na necessidade da mudança na cultura organizacional. O ESG, com suas 3 diretrizes, norteia as organizações para uma reflexão mais sustentável e humana dos seus modelos de negócios, tornando-as mais sólidas e competitivas.

Vamos conhecer um pouco mais sobre a história desse acrônimo.

Em janeiro de 2004, Kofi Annan, o vencedor do prêmio Nobel da Paz de 2001 e ex-secretário-geral da ONU que passou 9 anos no comando da maior organização intergovernamental do mundo, deu start a esse movimento. Durante o seu mandato, ele escreveu para mais de 50 CEOs de grandes instituições financeiras em todo o mundo, convidando-os a participar de uma iniciativa conjunta sob os apoios financeiros do Governo Suíço, o Pacto Global da ONU e o International Finance Corporation (IFC). Assim surgiu o ESG no mundo corporativo.

A sigla em inglês significa:

Environmental (Ambiental)

Social (Social)

Governance (Governança)

Algumas perguntas podem ser respondidas para saber o quanto a sua organização percebe e analisa esses pontos.

Reflita e faça um score/placar da sua empresa.

  1. Quais são as metas da sua empresa para diminuir a emissão de CO2? – Ahhhh, mas a minha Pizzaria é de forno a lenha.  Se tiver Delivery de carro ou moto, emite CO². Se você se desloca até seu fornecedor (queijo, tomate, orégano e trigo) com veículo a combustão (carro, moto ou ônibus), continua emitindo CO². Seus fornecedores, adivinhe, emitem CO² no processo de produção e distribuição dos seus produtos, e assim sucessivamente. É necessário ter um olhar holístico dos seus processos empresariais e de seus impactos.
  2. Qual a sua campanha atual para reduzir o uso de papel (A4) em sua empresa?
  3. Sua empresa faz a captação de água das chuvas?
  4. Sua empresa faz o descarte consciente do lixo (coleta seletiva)?
  5. Quais são os trabalhos sociais que a sua empresa realiza com o propósito de garantir uma perpetuidade do seu negócio?
  6. Quais as ações de correção dos impactos do seu negócio no meio ambiente e sociedade?
  7. O quanto você Avalia o Ciclo de Vida (LCA) do seu produto/serviço?
  8. Você possui um processo Lean no LCA do seu negócio?
  9. Quais os KPIs de sustentabilidade que você monitora mensalmente?
  10. Você já começou a investir em Créditos de Carbono?

De 0 a 10, qual foi a sua pontuação?

Não eram perguntas de outro mundo, mas, com o advento do ESG, são cada vez mais normais. Prepare-se! Quando você for pleitear uma nova linha de crédito para capital de giro com seu gerente no banco, muito possivelmente ele fará algumas dessas perguntas para calcular a sua taxa de juros.

O ESG está criando impactos circunstanciais que vão além da perspectiva financeira. Após o novo A-Normal global, a pandemia está promovendo uma autoavaliação mais profunda de como interagimos com o meio ambiente, hábitos alimentares, vestuário, locomoção e moradia estão em alta nesse movimento antropológico.

Seus Stakeholders também podem estar estruturando seu Compliance, onde, possivelmente existirão tabelas com preços diferenciados para clientes que possuem uma boa pontuação de ESG. Algumas indústrias do primeiro setor que possuem relacionamento B2B, só terão parcerias comerciais com empresas que também tenham uma política ou adoção mínima das práticas de ESG. Traduzindo, cuidado para não perder seu fornecedor e ficar sem mercadoria. Isso é futurologia empresarial.

A sociedade está clamando por uma mudança disruptiva por parte das empresas. A geração dos Millennialsque está chegando no mercado de trabalho, não avalia a política de uma empresa única e exclusivamente para comprar seus produtos ou utilizar seus serviços. Agora, antes de participar de um processo seletivo para um novo job, muitos dos Millennials tornam-se verdadeiros Hunters, na busca de informações e depoimentos na internet sobre a sua empresa. Eles verificam de forma preliminar se a cultura da empresa está alinhada com os seus princípios e anseios. O site Glassdoor é um modelo de negócio inicialmente criado para isso.

Segue abaixo um gráfico obtido no Google Trends, mostrando a evolução das pesquisas no Google de 2016 até 2021 do termo ESG. Observe o crescimento exponencial que ocorreu após o início da pandemia no primeiro semestre de 2020.

Algo que em sua gênese tinha o objetivo de nortear as políticas de investimento dos grandes grupos financeiros mundiais, o ESG está orientando agora empresas de diversos segmentos. Estão sendo criados fundos de investimento em ESG, departamentos de ESG, consultorias em ESG, camisetas e bandeirolas que contém essas três letras. Marketing para acionistas ou uma nova realidade gerencial?

O ESG não pode (e nem deve) se tornar uma máscara para as empresas. As organizações precisam ter uma consciência sustentável e assumir responsabilidades em preservar o equilíbrio do nosso ecossistema. É necessário que as organizações despertem essa mentalidade sustentável em seus colaboradores para que eles possam desdobrar essa nova realidade vivenciada no trabalho, nos seus lares e na sociedade como um todo. Precisamos educar as pessoas para melhorar o mundo.

“As organizações são feitas de pessoas, e não só de concreto e gráficos”.

Ram Charan.

Insira seus colaboradores no ESG e, com certeza, você terá uma hiperprodutividade dos impactos desse novo Eu Governamental.

Com votos de Fé, Estratégia e Gestão,

Jefferson Henrique S. Araújo

CEO da JH Consultoria Comercial

Jefferson Henrique
CEO na JH Consultoria
março 19, 2022